O balanço é francamente negativo: o custo em vidas humanas e recursos materiais é enorme e desproporcionado; o direito internacional e os direitos humanos foram vilipendiados; o mundo está mais inseguro e a paz mais longínqua; e o sentimento anti-ocidental nunca foi tão forte no mundo islâmico.
Passam hoje cinco anos desde a invasão do Iraque pelas tropas anglo-americanas. Pese embora toda a retórica optimista dos governantes norte-americanos, os resultados dessa aventura falam por si: mais de meio milhão de mortos entre os iraquianos; mais de três mil baixas no exército americano (superando até o número de mortos em Nova Iorque no 11 de Setembro), sem contar os feridos, traumatizados e deslocados por efeito da guerra em curso. O dispêndio de recursos financeiros (cerca de três triliões de dólares) chega a ser insultuoso perante as carências com que a grande maioria da humanidade se debate.
Todos os pretextos invocados pela coligação anglo-americana para justificar a invasão se mostraram falsos ou insuficientes, com destaque para as famigeradas “armas de destruição massiva” alegadamente detidas por Saddam Hussein. Ainda por cima, a invasão veio a revelar-se nefasta para a legalidade internacional, quer pela glorificação da violência como método de resolução de conflitos quer pelo retrocesso registado no domínio da protecção dos direitos humanos, de que a prisão de Guantanamo é apenas a expressão mais radical.
Os prejuízos causados por esta guerra para o diálogo intercultural e a convivência pacífica entre os diferentes povos e as civilizações são difíceis de calcular, já que a imagem do Ocidente no mundo árabe se encontra seriamente deteriorada, provocando o recrudescimento do terrorismo islâmico.
Por tudo isto, é necessário equacionar desde já a retirada das tropas invasoras do Iraque e a devolução dos territórios ocupados, como passo prévio à desmilitarização do Médio Oriente (e do mundo em geral, mediante o desmantelamento dos arsenais bélicos, sobretudo atómicos). A ONU, com o apoio da Liga Árabe, deverá ter um papel central no apoio às instituições democráticas do Iraque, como forma de evitar o vazio do poder e a anarquia, cabendo aos Estados que participaram com tropas nesta invasão custear, a título indemnizatório, o esforço de reconstrução e normalização do país.
Paralelamente, a ONU devia promover uma conferência regional, com o Iraque e os países vizinhos, de modo a permitir o reatamento das relações políticas e económicas, bem como uma concertação de esforços para pôr termo à guerrilha iraquiana e às suas acções terroristas, que não permitem aos iraquianos viver em segurança.
Estas propostas não têm de momento condições para ser aceites pela comunidade internacional, representada pelo Conselho de Segurança da ONU, dado o mais que provável veto dos EUA e Reino Unido, mas são aquelas que permitiriam repor a verdade e a legalidade nesta trágica situação, indo ao encontro do sentir da grande maioria da humanidade.
Cinco anos após a invasão do Iraque chegou a hora de inverter o rumo dos acontecimentos, reconhecendo os erros e avançando em direcção à paz e ao primado dos direitos humanos na cena internacional.
quinta-feira, 20 de março de 2008
quarta-feira, 19 de março de 2008
Humanistas assinalam o Ano Europeu do Diálogo Intercultural

Inserindo-se no espírito que levou a União Europeia a considerar 2008 o Ano Europeu do Diálogo Intercultural, a associação “Acção Humanista – Cooperação e Desenvolvimento”, frente de acção social do Movimento Humanista, retomou no início deste mês a sua actividade de apoio à integração de imigrantes, na cidade do Porto.
Assim, todos os sábados, a partir das 15h, até ao final do mês de Junho, uma equipa de voluntários desta associação organiza sessões de conversação com um grupo de imigrantes norte-africanos (marroquinos e egípcios, principalmente), que servem não só para o ensino da língua portuguesa a estes como também para o intercâmbio de pontos de vista sobre temas actuais da vida social e pessoal e, pontualmente, para a planificação de actividades comuns que promovam o diálogo entre culturas.
Assim, todos os sábados, a partir das 15h, até ao final do mês de Junho, uma equipa de voluntários desta associação organiza sessões de conversação com um grupo de imigrantes norte-africanos (marroquinos e egípcios, principalmente), que servem não só para o ensino da língua portuguesa a estes como também para o intercâmbio de pontos de vista sobre temas actuais da vida social e pessoal e, pontualmente, para a planificação de actividades comuns que promovam o diálogo entre culturas.
Estas sessões têm lugar na sede do Partido Humanista, sita à Rua de Santa Catarina, 820 – 1º Fte., no Porto, que acedeu a acolher esta iniciativa sem quaisquer contrapartidas.
Este trabalho parte do reconhecimento do contributo de cada cultura para a construção do futuro da humanidade e da importância de criar canais de comunicação que permitam uma convergência na diversidade entre todos os povos. Com efeito, a aceitação de realidades culturais diversas não invalida a existência de uma estrutura humana comum em devir histórico e em direcção convergente, que aponta no sentido da implementação de uma Nação Humana Universal, afinal de contas o objectivo de todos os humanistas e uma velha e profunda aspiração da humanidade.
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