terça-feira, 22 de abril de 2008

Carta aberta aos deputados portugueses


Exmo. Senhor

Como V. Exa. sabe, a petição "Portugal pela Paz", de que sou o primeiro subscritor, será apreciada na Reunião Plenária da Assembleia da República do próximo dia 18 de Abril, às 10h.
Considerando o teor do relatório final elaborado no seio da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, parece-me importante contextualizar a presente petição, rebatendo de passagem algumas das afirmações constantes do mesmo, em ordem a permitir a V. Exa. e seus pares aferir cabalmente da justeza e importância da matéria peticionada.
A petição em causa foi apresentada como forma de assinalar, de forma substancial, o Dia Internacional da Não-Violência, que se comemorou por primeira vez no passado dia 2 de Outubro, sob o impulso da Organização das Nações Unidas e com o voto favorável de Portugal.
A Não-Violência não se esgota na paz e no desarmamento, mas não prescinde dos mesmos, já que a guerra é a expressão mais radical da violência. Por isso, importa dar passos firmes e significativos no seu sentido, designadamente assumindo como norma de conduta nacional a renúncia à guerra como forma de resolução de conflitos.
Por outro lado, o Direito Comparado mostra-nos que essa opção tem precedentes históricos, como é o caso do Japão, e que não é antiquada, como prova a recente Constituição boliviana, adoptada sob o impulso do Presidente Evo Morales.
Ora, o exemplo destes países carece de ser fortalecido por outros Estados comprometidos com a paz e a não-violência, especialmente dada a delicadeza do momento histórico actual, marcado por uma nova escalada armamentista global e a glorificação da guerra como método de resolução de conflitos. Assim, Portugal não se pode alhear desta disjuntiva que se lhe apresenta: fortalecer esta corrente de paz e não-violência nas relações internacionais ou ser cúmplice de um retrocesso civilizacional às mãos dos arautos do belicismo.
Essa postura não é incompatível com a garantia da independência nacional nem com o asseguramento da defesa nacional por parte do Estado português, como se percebe desde logo pelo exemplo dos dois países acima mencionados.
Aliás, a História contemporânea demonstra que a cooperação internacional, a abertura e tolerância cultural, e a preservação e valorização da identidade nacional, são ferramentas de grande, ou mesmo maior, eficácia no cumprimento daquelas funções estaduais.
Finalmente, é importante sublinhar que neste momento não nos podemos já contentar com a afirmação, contida no citado relatório final, de que só é admissível, nos termos constitucionais em vigor, a guerra de legítima defesa.
Com efeito, os contornos da figura da legítima defesa, no âmbito do direito internacional, passaram a abarcar as acções bélicas preventivas, designadamente com o uso da força nuclear, como é proposto no seio da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte), pelo que a mesma deixou de garantir requisitos apertados para o recurso à guerra, mormente no âmbito da chamada legítima defesa colectiva.
Face ao exposto, solicito a V. Exa., na qualidade em que lhe escrevo, que não deixe escapar-se-lhe todo o valor simbólico da proposta contida na petição em apreço, fazendo com que o grupo parlamentar a que preside a converta em proposta de lei ou de resolução.

Com os melhores cumprimentos,
Luís Filipe Guerra


terça-feira, 1 de abril de 2008

Jornada da Não-Violência propõe criação de Observatório dos Direitos Humanos em Portugal

Realizou-se ontem no Porto a Jornada da Não-Violência, promovida pela associação Acção Humanista – Cooperação e Desenvolvimento, frente de acção do Movimento Humanista, com a participação das seguintes organizações: Associação de Apoio à Cidadania Lusófona – AACILUS; FERVE – Fartos/as d’Estes Recibos Verdes; Movimento Porta 65 Fechada; Movimento Somos Estudantes e Queremos uma Sexualidade sem Opressões; e Partido Humanista.

Os temas em debate foram: Diálogo entre Culturas e Imigração, Direitos Fundamentais, Juventude e Não-Violência; Paz e Desarmamento.

As principais conclusões e propostas foram:

Diálogo entre Culturas e Imigração
- Concessão de direitos políticos aos imigrantes (votar e ser eleitos);
- Possibilidade efectiva de regularização da situação dos imigrantes indocumentados, abandonando o conceito de Europa como fortaleza.
- Incentivar um papel activo das representações diplomáticas de países estrangeiros em Portugal nas questões do diálogo intercultural e da defesa dos direitos dos respectivos concidadãos.

Direitos Fundamentais:
Direito à habitação
- Realizar uma petição colectiva para tornar exigível judicialmente o direito à habitação, à semelhança do que acontece em França;
- Criar um mecanismo legal que permita às autarquias tomar posse administrativa dos imóveis devolutos degradados, fazer obras de reabilitação e colocar os mesmos no mercado de arrendamento, como usufrutuárias, até serem ressarcidas do investimento;
- Revogação do Programa Porta 65, em favor de um apoio financeiro equitativo a todos os jovens até aos 30 anos que pretendam arrendar casa, sem outros condicionamentos;
- Acesso a um fundo público de apoio à compra de habitação pelo seu preço real (isenção de juros).

Observatório dos Direitos Humanos
- Criação de um Observatório dos Direitos Humanos inter-associativo que colija denúncias, produza relatórios e instaure acções populares.

Juventude e Não-Violência
- Apoios ao exercício da liberdade de expressão por parte dos jovens, mediante o acesso aos diferentes meios de comunicação.
- Projecto de Educação para a Não-Violência nas escolas, como actividade extra-curricular ou formando parte do programa das disciplinas formativas.
Paz e Desarmamento
- Subscrição e difusão da petição contra a instalação do escudo anti-míssil norte-americano na República Checa, promovida pela plataforma “No to bases” e disponível em http://www.nonviolence.cz/.

Mais informação:
Acção Humanista – Cooperação e Desenvolvimento
http://www.movimentohumanista.com/
humanistapt@gmail.com