sexta-feira, 7 de novembro de 2008

MARCHA MUNDIAL PELA PAZ E A NÃO-VIOLÊNCIA



A Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência começará na Nova Zelândia, a 2 de Outubro de 2009, dia do aniversário do nascimento de Gandhi e, por esse motivo, declarado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Não-Violência. Terminará na cordilheira dos Andes, em Punta de Vacas, aos pés do Monte Aconcagua, a 2 de Janeiro de 2010.
Ao longo destes noventa dias, passará por mais de 90 países, nos cinco continentes, atravessando todos os climas e estações, das temperaturas escaldantes dos trópicos ao gélido Inverno siberiano. Cobrirá uma distância de 160.000 km por terra, e alguns dos percursos serão efectuados por mar e pelo ar.
Uma equipa permanente de mais de cem pessoas de distintas nacionalidades fará o percurso completo, e em cada país muitos mais se unirão, atravessando todo o território nacional ou apenas o seu bairro.

Para quê realizar uma Marcha Mundial pela Paz e a Não-violência?
Para denunciar a perigosa situação mundial que nos está a conduzir a um conflito com recurso a armamento nuclear, no que poderá ser maior catástrofe da história da Humanidade;
Para dar voz a essa maioria de cidadãos de todo o mundo que rejeita a guerra como forma de resolução de conflitos, que se opõe à demencial corrida armamentista que está em curso;
Para conseguir a erradicação das armas nucleares, a redução progressiva e proporcional do armamento, a assinatura de tratados de não agressão entre países, a renúncia dos governos ao uso das guerras como meio de resolução de conflitos;
Para colocar em evidência todas as outras formas de violência (económica, racial, sexual, religiosa, etc..), escondidas ou disfarçadas por quem as provoca, e proporcionar a quem as sofre uma oportunidade para fazer-se escutar.
A Marcha é uma iniciativa do "Mundo sem guerras", organização internacional que trabalha há 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência, mas reúne já muitos parceiros organizativos, entre associações locais e internacionais de voluntários.
A comissão promotora em Portugal, em coordenação com organizações galegas, irá assegurar a rota galaico-portuguesa, com início previsto em Finisterra e conclusão em Lisboa, e que se conectará em Toledo (Espanha) com a Marcha Mundial.

Na web oficial da Marcha reúnem-se depoimentos de algumas figuras públicas que prestam o seu apoio à Marcha. Esta lista inclui já nomes como Desmond Tutu(África do Sul), Prémio Nobel da Paz, Yehuda Stolov (Israel), presidente e fundador da AIE (Associação de Encontro Inter-religioso) dedicada ao diálogo inter-religioso para a construção da paz; Zubin Mehta (Índia), maestro; Michael Lerner (Estados Unidos), activista político, e editor da "Tikkun", revista judaica progressista e inter-religiosa, rabino da sinagoga Beyt Tikkun, de S. Francisco; Ashin Sopaka (Myanmar), monge budista e criador do Movimento pela Paz e a Liberdade em Burma; Ian Gibson (Reino Unido), hispanista reconhecido pelos seus trabalhos sobre Federico García Lorca, Salvador Dalí e Antonio Machado.

A estes nomes juntaram-se recentemente José Saramago (Portugal), Prémio Nobel da Literatura,Federico Mayor Zaragoza (Espanha), ex-director da UNESCO, e Noam Chomsky (Estados Unidos), investigador, linguista, professor universitário.

Base radar dos EUA na República Checa - Carta de Giorgio Schultze

Para: Vaclav Klaus, Presidente da República Checa, Membros da Câmara de Deputados Checa, Membros do Senado Checo, Embaixadas Checas em todo o mundo.

Pedido urgente para travar a votação para ratificar o acordo de instalação de uma base radar dos EUA em território checo

Dirijo-me a v. Ex.ª na qualidade de porta-voz do Novo Humanismo na Europa e de presidente da Regional Europeia da Internacional Humanista para pedir-lhe que faça todos os possíveis para impedir a ratificação do acordo com os EUA para instalar uma base radar em território checo. Os fundamentos para este pedido são os seguintes:
1. Na sequência da recente derrota da coligação no poder nas eleições para o Senado, o governo actual tem uma última oportunidade para ganhar uma votação no Senado, já que os senadores recém-eleitos ainda não tomaram assento. Se a votação não se realizar esta semana é provável que nunca venha a ser ganha. Esta é uma inacreditável manipulação de um sistema que não merece o título de “democracia” e que envergonha um país que lutou tanto e perdeu tantas vidas para consegui-la.
2. Este acordo vai contra a vontade da maioria dos checos, tal como as sondagens de opinião têm mostrado repetidamente.
3. A situação política nos EUA está a mudar e não é certo que a nova administração em Washington avance com o Sistema de Defesa Míssil se Praga não o tiver ratificado.
E, finalmente,
4. Este acordo e a ideologia de guerra que o sustenta são imorais, apenas conduzirão a mais tensão internacional, e ao gasto de milhares de milhão de dólares com uma guerra, quando poderia ser gasto na promoção de uma justiça social internacional – uma utilização desse dinheiro bem mais eficaz na batalha contra o extremismo e o terrorismo; as alegadas justificações para este sistema.
É por estas razões que lhe rogamos que considere não apenas as necessidades da República Checa mas as necessidades de paz na Europa, em geral, e em todo o Mundo.
Qual o propósito de ratificar um acordo que tem um apoio minoritário da população, um apoio agora minoritário no Senado e que apenas pode ser conseguido através da manipulação cínica de um sistema político?
É bem melhor tomar a posição proposta pela maioria dos Checos, de esperar pelo menos um ano e avaliar qual a nova situação política global, antes de avançar com uma votação tão perigosa.
Com os melhores cumprimentos
Giorgio Schultze